ONU está a utilizar programas de inclusão financeira em África para combater a pobreza rural

ONU está a utilizar programas de inclusão financeira em África para combater a pobreza rural

Várias agências da Organização das Nações Unidas (ONU) estão a investir em larga escala nos programas de inclusão financeira no continente africano, destinados a introduzir os serviços financeiros nas comunidades pobres e torná-las menos dependentes de ajuda.

A ideia subjacente à inclusão financeira é tornar os serviços financeiros – como o crédito, poupanças e seguros – acessíveis a toda a população mundial, o que inclui as comunidades rurais pobres de África, onde a maior parte dos habitantes subsiste com cerca de Kz 185 (€1,4) por dia. As várias agências da ONU acreditam que se tais serviços chegarem às comunidades rurais africanas, a qualidade de vida destas populações pode melhorar substancialmente.

Segundo Ertharin Cousin, membro do Programa Alimentar Mundial, uma das agências da ONU que está a investir na inclusão financeira, “o objectivo é criar uma oportunidade de iniciar um programa que, em última análise, se torna numa melhoria da cadeia de valor agrícola que sobrevive da participação do Programa Alimentar Mundial”, cita o All Africa.

Com uma população de mais de 84 milhões de pessoas, das quais mais de 80% habita em áreas rurais, a Etiópia foi o país africano escolhido para uma visita de campo de três dias por três das agências da ONU que estão a financiar os programas de inclusão financeira: o Programa Alimentar Mundial, a Organização para a Alimentação e Agricultura, e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.

Estas agências esperam tornar os programas de inclusão financeira auto-suficientes e há também uma vontade entre os agricultores e as cooperativas locais em contribuir para o bom desempenho destes programas. Segundo Alemetu Yohannes, presidente de uma cooperativa de mulheres agricultoras que recebe fundos para comprar feijão branco, os habitantes locais querem criar os seus próprios empregos e, assim, prescindir das doações.

Porém, esta independência das comunidades rurais pobres ainda está em dúvida, porque este tipo de programas tem sido apenas aplicado a uma escala pequena.

Outro dos objectivos dos programas de inclusão financeira centra-se na literacia financeira – educar aqueles que subsistem com apenas alguns euros por dia sobre os ganhos potenciais de não utilizar todos os recursos em despesas diárias, mas poupar ou investir uma percentagem dos rendimentos.

De acordo a Rainha Máxima da Holanda, conselheira especial da ONU para a inclusão financeira, a literacia financeira é importante para ajudar as pessoas a começarem a poupar para terem liquidez para futuros investimentos. “Eventualmente, deve-se potenciar a poupança doméstica devido aos recursos interno que devem ser investidos em empréstimos produtivos, para que as pessoas efectivamente fazer um investimento, aumentar a produção e criar mais postos de trabalho”, afirma Máxima.

Na Etiópia, por exemplo, a infra-estrutura financeira ainda é muito reduzida – apenas 8% da população possui uma conta bancária.

Foto: epSos.de / Creative Commons

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