Produção de biocombustíveis poderá aumentar doenças transmitidas por mosquitos

Produção de biocombustíveis poderá aumentar doenças transmitidas por mosquitos

A denominada primeira geração de culturas agrícolas de produção de biocombustíveis, principalmente de milho, está cada vez mais a ser substituída por uma segunda geração de culturas agrícolas de produção de biocombustíveis, tais como gramíneas perenes, que necessitam de menos energia, água, fertilizantes e pesticidas para crescer, dá a conhecer o site SciDevNet.

No entanto, alterações ecológicas provocadas pela produção de biocombustíveis em larga escala poderão alterar a propagação de doenças transmitidas por vectores (seres vivo capazes de transmitir agentes infectantes), pois afectam as suas acções, sobrevivência e abundância.

Num artigo publicado na edição deste mês da Global Change Biology – Bioenergy, investigadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, analisaram a produção de ovos de duas espécies de mosquitos (Aedes aegypti e Aedes albopictus) em água que continha folhas de diferentes culturas agrícolas. Determinou-se que diferentes tipos de culturas podem afectar as propriedades químicas da água em que os mosquitos colocam os seus ovos, assim como a preferência que têm sobre onde depositar os seus ovos e a sobrevivência desses mesmos.

Os investigadores demonstraram, por exemplo, que mais ovos chegaram à fase adulta quando foram colocados em água que foi infundida com material de folhas das culturas agrícolas de produção de biocombustíveis de segunda geração, de plantas silvestres, do que as que foram infundidas com folhas de milho.

“A transição para culturas de segunda geração pode aumentar o número de mosquitos e o risco de doenças transmitidas por esses insectos”, explicaram os investigadores, que acrescentaram que tal “deverá reforçar a diversidade da vida selvagem, o que pode reduzir a prevalência das infecções ao redireccionar as picadas de mosquitos para outros anfitriões”. Os investigadores disseram ainda que recomendam a realização de mais estudos para se explorar as vias pelas quais estas culturas são susceptíveis de influenciar o risco de doença para que quaisquer impactos negativos sobre a saúde humana possam ser identificadas e atenuados”.

Foto:  treesftf / Creative Commons

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