Unesco cria programa Brasil-África para acabar com racismo

Unesco cria programa Brasil-África para acabar com racismo

A riqueza multicultural brasileira nasceu da mistura de um enorme caldeirão de raças, credos, tradições e sotaques. E a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, quer pô-los novamente em contacto através do Programa Brasil-África: histórias cruzadas.

O programa será efectivado através de uma série de publicações a actividades, explica o Planeta Sustentável, levando até à escola e educadores brasileiros os instrumentos para ensinar e inserir a história africana nos estudantes.

“Quase 60% da população brasileira é negra, e o Brasil é considerado uma das regiões [que tem] as maiores diásporas africanas. Há uma relação muito forte entre estes dois países”, explicou ao Planeta Sustentável a responsável pelo programa, Cristina Trinidad.

O grande objectivo é sensibilizar os alunos para o facto de a sociedade brasileira ser constituída pela população negra, pelos descendentes de europeus e indígenas. “Até agora não era incluído o protagonismo da população negra, assim como dos indígenas, isso não era levado em consideração”, explicou Trinidad.

“Isto já era uma reinvindicação social antiga, que vinha desde a década de 40, no Brasil, para que fosse inserido nos currículos escolares”, explica a responsável.

O primeiro diagnóstico foi feito entre a Unesco e o Ministério da Educação, em parceria com a Universidade de São Carlos, em São Paulo (Brasil), a partir da História Geral de África, uma obra já existente e traduzida para várias línguas, mas não para português.

Pode fazer o download do material neste link.

O livro será usado na escola através de dois projectos: um ligado à capoeira, que contempla a questão do corpo, e outro é uma recolha de histórias. Segundo Cristina, por mais que se diga que o Brasil não é um país racista ou discriminatório, as pesquisas indicam o contrário.

“Existe uma mentalidade pautada pelo preconceito e, para fazer esta mudança de cultura, há a necessidade de começar pela educação, como estamos a fazer, mas também pela formação de professores. É um processo longo e complexo, que requer algum tempo para podermos avaliar os impactos do nosso trabalho”, concluiu a responsável.

Foto: Retlaw Snellac Photography / Creative Commons

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