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Esta sexta-feira, em Luanda, o grupo Reviva vai organizar um congresso sobre a profissionalização da indústria e dos serviços como base no crescimento sustentado de Angola. Em entrevista exclusiva ao Green Savers, o marketing manager da marca, Hugo Bizarro, explica como o congresso vai abordar temas como a certificação e a profissionalização do sector secundários e terciário – sobretudo na perspectiva do desenvolvimento do turismo no país.

Numa altura em que se estima que Angola passe de 1,5 milhões para 5 milhões de turistas recebidos, até 2020, as questões ligadas à segurança alimentar, higiene profissional de hotéis, restaurantes, catering e instituições podem ser essenciais para levar ao regresso destes turistas ao país.

O congresso vai abordar a profissionalização da indústria e serviços como base do crescimento em Angola. Que indústrias e serviços lideram este processo?

A aposta na profissionalização é transversal a todas as empresas do sector secundário e terciário em Angola. O congresso terá uma preponderância de entidades ligadas ao desenvolvimento do sector do turismo, uma vez que se trata de uma área da economia que, com o esforço de profissionalização, mais depressa poderá crescer. Esse desenvolvimento tem um efeito multiplicador sobre vários sectores a montante e jusante e pode constituir uma importante fonte de entrada de divisas.

Em que fase de profissionalização se encontra a indústria e serviços angolana e, na vossa opinião, como se chegará a um novo nível de qualidade?

Já muito tem sido feito para elevar os níveis de profissionalismo a padrões de qualidade aceitáveis. A questão fundamental ainda permanece na necessidade de garantir uma formação de qualidade aos quadros e operacionais angolanos, para que exista uma oferta de mão-de-obra qualificada, em quantidade e qualidade, para que o desenvolvimento económico seja uma realidade.

Qual o papel da formação e certificação em todo este processo?

Nestes dois tópicos reside o fundamental de toda esta problemática. O ser: a formação e o parecer: a certificação. Ainda há muito por fazer na criação de “infra-estruturas” humanas que acompanhem o ritmo de desenvolvimento, mas já muito foi feito e não valorizado. Países como Angola têm que apostar nos dois tabuleiros. Um esforço considerável de investimento nos vários vectores de desenvolvimento tem que ser acompanhado pela demonstração do mesmo. Temos que ser e parecer e esta última dimensão pode ser concretizada por via das várias certificações reconhecidas internacionalmente.

Se numa primeira fase Angola se centrou no crescimento económico, agora é a altura de chegar a uma nova fase de profissionalização da indústria e serviços. De que forma a higiene e segurança poderá ser um dos pilares desta revolução?

Quando se estuda um destino – seja de férias, investimento ou ocasional – valorizam-se factores como a confiança e segurança. O exemplo de Portugal é bem demonstrador de como, pela via mais dura, com a actuação da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), se passou de uma percepção duvidosa em termos de qualidade, segurança alimentar e higiene para o top dos países com melhores condições nessas dimensões. Uma vez mais não basta ser, tem que se parecer e daí a necessidade de ter uma campanha de certificação dos operadores a par com uma intervenção junto dos opinion makers mundiais.

Que países podem ser modelos para a entrada angolana numa nova fase de profissionalização do canal HORECA?

Pelo que foi referido na questão anterior, Angola não tem que “inventar rodas” já inventadas, nem tem que se esforçar muito para encontrar um país de referência para promover a profissionalização do sector HORECA. Aprender com os erros e sucessos de Portugal pode constituir um bom caminho para o desenvolvimento do sector em Angola.

Angola deve passar de 1,5 milhões de turistas, em 2013, para 5 milhões em 2020. Para tal, não bastam infra-estruturas, há que formar profissionais, criar condições para que estes turistas se sintam bem e voltem. Que papel tem uma empresa como a Reviva em todo este processo?

O Grupo Reviva tem assumido, em quase todas as suas iniciativas empreendedoras, uma vertente de responsabilidade social que implica muito mais que desenvolver e comercializar produtos que vão de encontro às necessidades dos angolanos. A comunidade em que nos inserimos e a sua prosperidade estão presentes em tudo o que fazemos. Desde as questões ambientais, que são essenciais para a sustentabilidade do turismo em Angola, até à contratação dos melhores profissionais, cuja missão é ajudar a desenvolver competências operacionais e de gestão em áreas tão criticas como a segurança alimentar e a higiene profissional de hotéis, restaurantes, catering, instituições.

Que iniciativa tem tomado a Reviva para desenvolver profissionais em Angola?

Podemos tomar o exemplo da unidade de negócio Reviva Profissional. A equipa que desenvolve a sua actividade no terreno tem, como prioridade, assegurar o bom funcionamento dos sistemas de higiene e limpeza, bem como a formação profissional de todos os operacionais e gestores ligados a estes processos. Procuramos que os clientes atinjam os mais elevados padrões de qualidade, optimizando o consumo de químicos, água e electricidade por forma a termos uma operação sustentável.

As empresas angolanas valorizam a certificação? E qual deverá ser o papel do Governo para que cada vez mais empresas estejam certificadas?

A preocupação das empresas e do Governo ainda está muito na esfera do “ser”. Como já referimos “ser” e “parecer” têm que andar em paralelo para que se colha o benefício do investimento realizado. Pelo nosso lado continuaremos a desenvolver boas práticas junto dos nossos clientes e com disponibilidade para promover a sua tradução em Certificações dado que a parte mais importante do trabalho já está a ser feito.

Foto: Erik Cleves Kristensen / Creative Commons

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